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DESTAQUES DO LEM NEWS

Ano passado, dois cientistas de dados da empresa de segurança ZeroFOX conduziram um experimento para avaliar quem se sairia melhor ao forçar usuários do Twitter a clicar em links maliciosos, humanos ou uma inteligência artificial. Os pesquisadores ensinaram uma IA para estudar o comportamento de usuários de redes sociais, e então projetar e implementar uma isca de phishing própria. Nos testes, o hacker artificial foi substancialmente melhor que seus competidores humanos, compondo e distribuindo mais tweets com o link malicioso que os humanos, e com ­uma taxa de conversão muito melhor.

A inteligência, nomeada SNAP_R, enviou tweets de spear-phishing para mais de 800 usuários em uma média de 6,75 tweets por minuto, atraindo 275 vítimas. Já do lado humano, Thomas Fox-Brewster, redator da Forbes que participou do experimento, pode apenas enviar 1,075 tweets por minuto, em 129 tentativas e atraindo apenas 49 usuários.

Por sorte, este foi um mero experimento, mas a atividade expos como hackers já podem usar inteligências artificiais para fins nefastos. É possível, inclusive, que já as usem para isso, mas ainda é algo difícil de se provar. Em julho, durante a Black Hat USA 2017, centenas de especialistas de cibersegurança se juntaram em Las Vegas para discutir este problema e outras ameaças que possam surgir com tecnologias emergentes. Ao longo do evento, a Cylance, uma desenvolvedora de antivírus perguntou aos participantes se criminosos virtuais usariam IAs para fins ofensivos a partir do próximo ano e 62% respondeu que sim.

A era da inteligência artificial já está sobre nós, mas ainda assim um surpreendente número de profissionais de segurança da informação se recusa a admitir o potencial de inteligências artificiais em serem usadas como armas em nosso futuro imediato. É um posicionamento assustador, visto que muitos dos especialistas que conversamos afirmam que técnicas como o aprendizado de máquina já são usadas por hackers, e que estes criminosos usam a tecnologia emergente de uma maneira muito mais sofisticada do que podemos imaginar.

“Hackers tem usado a inteligência artificial como uma arma já há algum tempo”, diz Brian Wallace, cientista de segurança de dados dirigente da Cylance, para o Gizmodo. “E faz todo o sentido porque hackers tem um problema de escala, tentam atacar o máximo de pessoas que podem, atingindo o máximo de alvos que podem, tudo isso enquanto tentam não atrair riscos para si mesmos. Inteligência artificial, e ensinamento da máquina em particular, são ferramentas perfeitas para eles”. Essas ferramentas, diz Wallace, podem decidir o que atacar, quem atacar, quando atacar e por aí vai.

Escalas de inteligência

Marc Goodman, autor de Future Crimes: Everything Is Connected, Everyone Is Vulnerable and What We Can Do About It, diz que ele não está surpreso que muitos atendentes da Black Hat veem inteligência artificial como uma arma iminente, já que ela faz parte de ciberataques há anos.

“O que eu acho estranho é que 62% dos profissionais de segurança da informação façam essa previsão”, diz Goodman ao Gizmodo. “A inteligência artificial é definida por muita gente diferente e de diversas maneiras diferentes. Então eu precisaria de uma explicação mais clara do que especificamente eles entendem por inteligência artificial”.

E é possivelmente neste ponto que muitos especialistas comecem a divergir.

O que é curiosos sobre a inteligência artificial é que nossa concepção sobre ela muda conforme o tempo e conforme as tecnologias se igualam a inteligência humana em diversas outras maneiras. Em níveis mais fundamentais, inteligência descreve a habilidade de um agente, seja ela biológica ou mecânica, para resolver problemas complexos. Nós possuímos muitas ferramentas com essas capacidades, e as temos há um bom tempo, mas quase instantaneamente começamos a relevar a existência delas conforme elas vão se tornando comuns.

Séculos atrás, por exemplo, a possibilidade de uma máquina que faria cálculos milhões de vezes mais rápido que um ser humano seria considerada um avanço tecnológico radical, mas poucos hoje consideram uma simples calculadora como algo particularmente especial. Semelhantemente, a habilidade de ganhar no xadrez já foi um dia considerado um alto nível de inteligência humana, mas desde que o computador Deep Blue venceu Garry Kasparov em 1997, essa habilidade cognitiva perdeu um pouco do brilho. E este é o ciclo de cada avanço da inteligência artificial.

Fonte:msn
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